Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005

Compilações

O Aquiles propôs algo no artigo de 11 Janeiro de 2005.
Aqui fica o resultado das participações dos meus queridos mortais.
A compilação é dele (Aquiles).

LIVROS.jpg

Muito obrigado pela adesão. Fui, por Zeus, incumbido de fazer a compilação dos diferentes contributos. Peço desculpa pelo atraso. Por vezes tenho necessidade de me ausentar em busca de Helenas de Tróia e outras conquistas...

A ideia inicial não era esta, mas não resulta mal. Obviamente os comentários aos co-bloguistas não têm qualquer significado, até porque não os conheço e, portanto, não se deverão sentir ofendidos. Não passam de personagens fictícias apenas com o intuito de dar forma ao texto.

Um abraço.

Aquiles.

"Matilde era uma rapariga vulgar. Tinha 21 anos de idade, uma educação decente, pertencia à classe média, estudava numa universidade pública, numa cidade média, Coimbra. Tinha acabado de chegar ao meio académico que a recebia com relativa indiferença. A aldeia de onde viera sucumbia ao êxodo das suas gentes em busca de melhores oportunidades de vida. Ela nunca se identificara com as maneiras, com os costumes dos conterrâneos. Faltava-lhe algo mais e esse algo poderia ser conseguido com a "fuga" para a cidade.

Matilde tinha amigas, obviamente. Robina era a mais sonhadora de todas elas e incutia em Matilde o lado mais belo da vida. Robina acreditava que o mundo não era uma imensa zona cinzenta, ela via no lado branco em que se encontrava todas as cores do arco-íris fundidas num espectro. E Matilde gostava dela, mas pensava que se não tomasse uma atitude, se não trabalhasse, os seus conselhos, por melhores que fossem, apenas contribuiriam para o seu definhamento moral, físico e intelectual.

Matilde apesar de não possuir uma beleza estonteante é uma rapariga bastante interessante, embora a sua timidez e a sua forma de vestir, não o permita revelar. Desde de pequena que andava candidamente nua pelo seu quarto, habituando-se a observar o seu corpo. O prazer que tinha ao observar-se era tão grande que por vezes se transformava em prazer físico... imaginava-se deusa do amor e da beleza sensual, mais especificamente do amor carnal. Sentia-se capaz de seduzir a todos, deuses ou mortais, qual Afrodite.

Os anos passaram. Matilde fez-se mulher. Bela por sinal. Nesta altura o curso estava quase no fim.
No entanto após ter atingido o objectivo de tirar a Licenciatura, a sua vida atingiu um enorme vazio. Os dias eram todos iguais sem qualquer tipo de sabor. Andava de acordo com a maré. Não conseguia suportar mais esta situação e decidiu pôr fim a essa vida monótona e sem sentido. Então...

Conheceu João Maria, um empregado de mesa colega de trabalho, num dos muitos "part-time's" que arranjou para ajudar a financiar os estudos. A cidade, mais propriamente a capital, é um espaço de equívocos que a muitos conforta dada as suas dúvidas e inseguranças existências, Matilde era a outra palavra para a dúvida. Estranhamente era das mulheres mais seguras que o mundo conhecera, de tão consciente da sua alma selvagem inspirava desconforto nas maiorias, quer políticas quer sociais...isso atraiu João Maria, um contestatário ligado a movimentos políticos de esquerda, muito activo a nível associativo. Mas João Maria não era rico e o trabalho dava-lhe a independência financeira necessária para não depender dos pais, nem de ninguém.

Matilde conhecera muitos homens no seu percurso académico, mas nenhum deles a fazia sentir-se tão bem como João Maria. Inclusive tinha cometido algumas loucuras, como aquela relação com Cláudia, o transexual. Acabara de experiência a primeira aventura sexual com um homem. Ele tinha trinta e tal anos, preto, de braços possantes e duros. Pedira-lhe em namoro por telefone. Ele, em Lisboa. Ela, em Coimbra. Matilde encontrava-se num nova fase da sua vida e aguardava impaciente pelo próximo encontro com Cláudia. Não se incomodava com as tendências de Cláudia. Estava na fase da experimentação e tudo a divertia.

Mas agora estava na altura de assentar. Encontrara alguém ao lado de quem poderia ser feliz.
Matilde, era ambiciosa, quando chegou a Coimbra, deparou-se com um novo Universo, afinal o ambiente académico muda a personalidade de qualquer um...cresceu, divertiu-se, fez grandes amizades, mas Coimbra não é cidade para alguém como Matilde, ela queria mais...uma cidade mais cosmopolita!! Partiu com João Maria para o Porto. Ficaram juntos, fizeram muito amor, fizeram um filho.

A vida prega-nos partidas, por vezes. Numa análise de rotina Matilde descobre que tem sida. A promiscuidade da grande cidade, os homens que conhecera...e o pior é que estava grávida de Helena.

"As mulheres seropositivas podem passar o vírus ao filho durante a gestação, no momento do parto e através do aleitamento, portanto, devem reflectir bem sobre essa possibilidade antes de engravidar. Caso o pai seja seropositivo e a mãe seronegativa, existe já a possibilidade de fazer fertilização in vitro com esperma «lavado», ou seja, utilizando apenas os espermatozóides que não estejam infectados. Este sistema, contudo, tem ainda um risco de transmissão de um por cento e não está disponível comummente.

A mulher que descobre ser seropositiva já depois de estar grávida pode, como qualquer outra pessoa, iniciar o tratamento com medicamentos anti-retrovíricos, para controlar a multiplicação do vírus. Desta forma, evitará complicações durante a gestação, embora a terapia apresente tanto vantagens como efeitos nocivos para a saúde da mãe como do bebé. Se a mãe já estava a fazer tratamento antes de engravidar, deverá continuar a fazê-lo, seguindo as instruções do médico."

In InfoSida, www.roche.pt

Um abraço a todos. Obrigado a Robina, Marina, Menina Marota, Cláudia, Afrodite, João Maria, Borboleta, Blueshell e Helena.


Fiquem bem,
publicado por Zeus às 12:41
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7 comentários:
De Anónimo a 25 de Janeiro de 2005 às 15:31
Gostei destas compilações de Matilde. Beijos :)Betty
(http://desfolhada.blogspot.com)
(mailto:ferreiraelisabete@hotmail.com)


De Anónimo a 25 de Janeiro de 2005 às 14:22
Temos escritor, fico bastante bom. Gostei da ideia de alerta para um dos mais flagelos da nossa era a SIDA, nunca é demais falar e sensibilizar as pessoas para este problema de todos nós. Helena
</a>
(mailto:pgticha@sapo.pt)


De Anónimo a 25 de Janeiro de 2005 às 11:40
Não ficou mal, não senhor!Carlos Tavares
(http://o-microbio.blogspot.com)
(mailto:carlos.roquegest@mail.telepac.pt)


De Anónimo a 25 de Janeiro de 2005 às 10:06
Bom trabalho, Aquiles!A Montellano
(http://chezmontellano.blogspot.com)
(mailto:)


De Anónimo a 23 de Janeiro de 2005 às 00:50
Olá! Deu para ver que tu gosta de mitologia grega, realmente é muito interessante, e seu blog tb é muito interessante, principalmente este texto. Olha sempre que venho a um blog pela primeira vez deixo uma mensagem: "O PODER DO MAGO NÃO É OUTRO SENÃO O PODER DE USAR O SEU PRÓPRIO PODER".
Um grande abraço.
MariaMaria José
(http://www.mestradossonhos.zip.net)
(mailto:samanthariodejaneiro@hotmail.com)


De Anónimo a 21 de Janeiro de 2005 às 15:32
Ficou um primor ;-)

Obrigada eu por me pintares sempre com cores tão bonitas :-) Robina
(http://bosquedarobina.blogspot.com/)
(mailto:hotlulu@iol.pt)


De Anónimo a 21 de Janeiro de 2005 às 15:29
Ficou um primor ;-)

Obrigada eu por me pintares sempre com cores tão bonitas :-) Robina
(http://bosquedarobina.blogspot.com/)
(mailto:hotlulu@iol.pt)


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