Sexta-feira, 21 de Abril de 2006

Cavatina

Amavelmente, Alexandra Diez, presenteou este espaço divino com mais uma das suas prosas carregadas de emoção e sentimento. Deliciem-se caros mortais.

   
Tudo havia terminado…
Os lençóis remexidos sussurravam docemente, enquanto testemunhas silenciosas de segredos de uma noite de infindáveis prazeres. No ar espraiava-se um odor agridoce que se desprendia dos corpos nus, adormecidos em desalinho sobre a cama.
 
Tudo começara com um olhar, não um olhar qualquer mas um daqueles olhares que prenuncia tempestade, sentimentos tumultuosos, intensos e magnéticos. Um olhar que tudo esconde e que tudo revela, espelho de almas atormentados de um desejo por saciar…
 
Estava escrito que algures no espaço algures no tempo, o inevitável aconteceria porque a insustentável tensão que pairava a cada encontro, escrevia mais uma linha no livro do destino…quando as linhas se cruzassem….
 
Com a mudança das estações as linhas cruzaram-se e o destino cumpriu-se. A distância de segurança foi quebrada, e o beijo surgiu do nada, quente, sensual, exigente e sôfrego, selando o início do inevitável. O princípio do fim. O olhar escureceu, intensificou-se expressando o desejo transbordante. As mãos pequenas e delicadas percorreram devagar o contorno da face, deslizando suavemente e descendo pela nuca e ombros desapertaram os botões da camisa semi-aberta acariciando firmemente a pele macia por debaixo. Os lábios quentes percorreram o trilho das mãos, atingindo o peito e acariciando com a língua os mamilos até estes ficarem erectos…
 
As mãos acariciavam suavemente as costas, descendo até aos rins apertaram firmemente as nádegas firmes que se revelam sob as calças.
Um a um os botões vão sendo finalmente abertos…
 
A boca dele era macia e viajou languidamente pela curvatura do pescoço até à abertura do decote, sentido o odor suave que se desprendia da pele, abriu vagarosamente o fecho e mergulhou as mãos no seu interior acariciando firmemente as costas, despojou os seios do seu suporte. As mãos e a boca cálida percorreram-nos, ora suave ora impetuosamente arrancando murmúrios entrecortados de prazer.
 
Com decisão a saia, foi arrancada num só gesto expondo o ventre ligeiramente arredondado e a tanga fio dental. Uma das mãos enlaçou a cintura, enquanto a outra mergulhou na tanga, sentindo a macieza sedosa de uma intimidade fremente, quente e húmida…palpitante, os dedos penetraram delicadamente no abismo aveludado e quente que se abria ao toque delicado.
 
O abraço foi forte, envolvente e impetuoso e o contacto dos corpos quentes, excitados e sequiosos de carícias foi selvagem. As bocas ávidas de prazer percorreram despudoradamente todo o corpo cm a cm, ora acariciando, ora tocando levemente com a língua ora sugando e apertando vigorosamente com os lábios, arrancando gemidos incontidos pelas sensações de prazer que provocavam.
A excitação crescia, a batida cardíaca acelerava-se…. Os corpos enlaçam-se, numa exploração infinda de prazeres e sensações, de toques, de beijos, de carícias prolongando o clímax…
 
Sentando-se lentamente, sente a masculinidade penetrar primeiro suave e lentamente, depois aumentando a cadência…ondas de calor percorrem a coluna, tornando a respiração cada vez mais ofegante num turbilhão crescente de sensações, a visão torna-se mais enevoada, o corpo fica trémulo com a proximidade do orgasmo que se pressente pelo vigor dos movimentos, pelos gemidos incontidos, pelas unhas que se cravam como garras. Antes do clímax muda rapidamente de posição, e de gatas sente as mãos dele agarrarem vigorosamente a anca e penetrarem-na com força. É um crescendo que se transmite a todo o corpo, em ondas de choque sucessivas como a erupção de um vulcão adormecido, que explode com violência… para ele tudo chegou ao fim.
 
Nela a onda de calor parece retroceder, mantendo o corpo trémulo, quente e fremente… mas o toque suave dos dedos e a boca quente, reacende a fogueira ainda não extinta, emitindo miríades de sensações que de novo inflamam e explodem…recomeçando de novo…
 
Tudo tem um princípio…tudo tem um fim.
Os acordes de uma cavatina [1] ecoam ao longe….
 
 
Alexandra Diez
 
 
Vade Mecum
(Vem comigo)
 
 
Fiquem bem,
 
 

[1] - Área musical de curta duração, sem repetição nem segunda parte.

 
publicado por Zeus às 09:47
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2006

Espelho

 

A autora, de sua graça, Alexandra Diez, resolveu dar uma ajuda ao Olimpo nestes tempos em que a inspiração escasseia. Leiam com atenção, pois a prosa é cristalina.

 

 

Duas gotas de água no espelho.


Algures no fundo da nossa alma existem dois eus, duas gotas de água que escorrem por um espelho, ao mesmo tempo semelhantes e dissemelhantes, o que somos e o que gostávamos de ser.


Somos o produto da nossa consciência e da herança familiar e social do mundo que nos rodeia; somos aquilo que podemos ser.


A outra gota de água é como o espelho por onde desliza, e embora reflicta a imagem do que sou, essa imagem encontra-se invertida. como se de um paradoxo se tratasse. é a imagem do que eu gostava de ser.


Quando vejo a imagem do que sou reflectida no espelho, pergunto-me como cheguei até ali. Sento-me e recordo as vidas passadas, os caminhos trilhados, as opções descartadas.


Sento-me e recordo as vidas futuras, meros prolongamentos do que podia ter sido e não foi.


Sento-me e recordo o presente. Instante fugaz, que não é futuro porque já aconteceu e não é passado porque está a acontecer e ainda não se
concretizou.


Quando escorrem suavemente pelo espelho as duas gotas de água fundem-se numa torrente única., e o reflexo passa a ser só um.


Passado, presente e futuro mesclam-se num momento único, intemporal.

 

 

fiat lux

(Faça-se a luz)

 

Fiquem bem,

publicado por Zeus às 11:50
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